
ACITE e URNM Realizam Simpósio Nacional sobre Plantas Medicinais 2026 (SNPM.26)
- Date 03/09/2026
- Categories Informação, Últimos Artigos
Em alusão ao Dia 31 de Agosto- data que a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu como Dia da Medicina Tradicional Africana- a Academia de Ciências Sociais e Tecnologias (ACITE), e a Universidade Rainha Njinga Mbande (URNM) realizaram, no Auditório Prof. Doutor Samuel Carlos Victorino, da Faculdade de Medicina da URNM em Malanje, o “Simpósio Nacional sobre Plantas Medicinais 2026 (SNPM.26)”. O evento, que decorreu na data precisa da referida efeméride, teve início às 9h30min., com duração de aproximadamente 5 horas, repartidas em quatro momentos distintos, nomeadamente: A sessão de abertura; a mesa redonda; duas aulas magnas e um momento cultural.
As considerações estiveram a cargo dos representantes das duas instituições organizadoras, nomeadamente, o Prof. Doutor Eduardo Ekundi Valentim- Magnifico Reitor da URNM e o prof. Doutor Lopes Ferreira Baptista, Vice-Reitor para Investigação Científica da ACITE, em representação do seu Magnífico Reitor, seguidas do discurso de boas-vindas de S.Exia. Vice-Governador da Província de Malanje para o sector técnico e infra-estrutura Dr. Duarte André Ginga.
Na sua intervenção, o Professor
Doutor Eduardo Valentim abordou, entre outras coisas, sobre a importância dos estudos sobre plantas medicinais, e o seu impacto transversal em diferentes esferas, tendo frisado que: “uma planta medicinal pode ser, ao mesmo tempo, memória de uma comunidade, objecto de investigação, fonte de uma molécula terapêutica, oportunidade económica e esperança para um enfermo, cabendo aos intervenientes assegurar que todo este potencial seja desenvolvido com ética, justiça, ciência e respeito pela natureza”.
O Vice-Reitor para Investigação Científica da ACITE reafirmou a
necessidade de se desenvolver a medicina tradicional, partindo primeiro da preservação das plantas enquanto património e herança ancestral, e de estudos aprofundados sobre a dosagem, a forma de preparação, as condições de conversação e a interacção com os outros medicamentos no combate às doenças, considerando serem factores determinantes da sua segurança e eficácia. Considerando que as universidades e centros de investigação exercem um papel fundamental na documentação, identificação das espécies, dos seus princípios activos, na avaliação da segurança e produção de evidências científicas que permitam distinguir as práticas benéficas daquelas que podem representar risco para a saúde.
O Exmo. Vice-Governador para o sector técnico e infra-estruturas da província de Malanje Dr. Duarte Ginga felicitou a ACITE e a URNM pela sua iniciativa louvável e oportuna, que coloca a província numa posição privilegiada, em razão da importância das matérias abordadas no Simpósio, considerando que o uso de plantas medicinais em Angola e em todo continente africano é uma componente viva da nossa identidade cultural e do nosso património imaterial.
A sessão de abertura do evento deu lugar à mesa redonda, moderada pelo Doutor Bartolomeu Canda-
coordenador do Centro de Investigação Científica Multidisciplinar da ACITE, ladeado de quatro individualidades que abordaram os seguintes temas: o naturopata Abraão Lopes- Presidente da União dos Terapeutas Tradicionais para o Desenvolvimento de Angola, que abordou sobre a convergência entre a sabedoria ancestral e moderna; o prof. Doutor João Milando que abordou sobre naturopatia, nutrição e segurança alimentar no aproveitamento e uso de plantas; o Doutor Ribeiro de Carvalho que falou sobre a estruturação do ecossistema de produção e valorização das plantas medicinais em Angola, e a prof (a). Doutora Bibiana Calisto Bernardo, médica especialista em ginecologia obstetrícia, que falou sobre os benefícios e riscos à saúde das mulheres gestantes, na aplicação de medicamentos e protocolos de medicina tradicional.
Terminada a apresentação da mesa
redonda, seguida do momento dedicado às perguntas respostas, e de uma discussão aprofundada sobre futuros desafios e necessidade de suporte institucional na transposição entraves inerentes à regularização da actividade dos terapeutas tradicionais em Angola, a mestre de cerimónia deu continuidade à programação anunciando duas Aulas Magnas, cujos prelectores foram os senhores: Geovan Costa- Investigador da ACITE, e Mestre em Biologia Molecular e Genética, que falou sobre a prevalência do uso de plantas medicinais em residentes da cidade de Luanda; e Ana Flávia Pessoa- PhD. e investigadora afecta à faculdade de ciências
farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP)-Brasil, que abordou sobre a experiência brasileira e a perspectiva mundial, no domínio da fitoterapia e das práticas interactivas e complementares.
O fim das actividades de pendor académico, deu lugar a um momento cultural, e subsequente entrega de certificados aos prelectores e moderadores, havendo ainda tempo para um almoço de confraternização e para interacção com os mais de 60 naturopatas que expuseram e disponibilizaram os seus produtos para divulgação e comercialização a exemplo dos senhores Jeremias e Vitória- expositores vindos da Comuna do Lombe que apresentaram uma variedade de folhas e raízes, destinadas ao 
tratamento de infertilidade, impotência sexual e outras patologias como infecção urinária, oxiúres e febre tifóide; e da expositora Teresa Balombo naturopata do Lubango, que divulgou o Mukumbi (gesso natural) apresentando-o como fonte natural de cálcio, com capacidade de regenerar fracturas ósseas.
O Simpósio Nacional sobre Plantas Medicinais 2026 teve um balanço positivo, na medida em que serviu para enriquecer a discussão em torno da interacção entre a medicina tradicional e a medicina convencional, deixando abertas possibilidades para contribuições futuras, facilitando a transformação do conhecimento tradicional em oportunidade de inovação de desenvolvimento para o país.
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